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26 março, 2019


Ansiedade Infantil: como identificar?

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que cerca de 9,3% dos brasileiros apresentam os sintomas de ansiedade, transtorno que atinge de crianças, adolescentes, adultos e idosos. Uma pesquisa conduzida pelo professor de psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, Fernando R. Asbahr, mostra que aproximadamente 10% de todas as crianças e adolescentes sofrerão algum tipo de transtorno de ansiedade.



Lidar com o problema não é uma tarefa fácil em nenhuma fase da vida. Imagine, então, quando o transtorno atinge crianças. A partir dos estudos do psicanalista Sigmund Freud (1836-1939), a psicóloga Beatriz Moura destaca os três os tipos de ansiedade mais comuns em crianças e como os pais podem identificar essas alterações nos filhos.

Um deles, o Transtorno de Ansiedade de Separação é uma ansiedade excessiva por conta do afastamento dos pais por um determinado período. Para diagnosticar esse tipo de transtorno, alguns fatores devem ser levados em consideração. O primeiro critério diagnóstico é a presença de, pelo menos, três sintomas relacionados com reações emocionais inadequadas ao grau de desenvolvimento da criança ou do adolescente, com relação ao afastamento de casa ou dos pais. Dentre os sintomas possíveis, estão:

- Sofrimento excessivo e recorrente frente à ocorrência ou previsão de afastamento;

- Preocupação persistente e excessiva acerca de perigos envolvendo os pais ou a si próprio;

- Recusa ou relutância a ir para a escola, ou para outros lugares, desacompanhado;

- Temor excessivo de ficar sozinho em casa;

- Dificuldades para adormecer sem uma figura de vinculação ou para dormir fora de casa;

- Pesadelos frequentes envolvendo o tema separação e queixas somáticas persistentes.



Esses sintomas são comuns em qualquer idade antes dos 18 anos e aparecem com mais frequência entre os sete e nove anos de idade. Em alguns casos, as crianças podem apresentar dores na cabeça, no estômago e náuseas.

Já o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) indica a presença de preocupações excessivas e incontroláveis sobre diferentes aspectos da vida. Os sintomas que devem ser avaliados, incluem: ansiedade e preocupação excessiva e de difícil controle com diversos eventos, na maioria dos dias e com duração mínima de seis meses, causando prejuízos no funcionamento da vida diária.

O quadro deve ser acompanhado ainda de pelo menos três de seis sintomas físicos, tais como:

- Inquietação;

- Fatigabilidade;

- Dificuldade de concentração;

- Irritabilidade;

- Tensão muscular ou perturbações do sono, necessidade constante de reasseguramento e excesso de autoconsciência e preocupação com comportamento no passado;

- Rigidez com relação ao cumprimento de regras ou evitação de situações nas quais poderia haver a exposição ao julgamento dos outros são as principais consequências destes comportamentos.

Para que o diagnóstico seja confirmado em crianças, basta identificar apenas um sintoma. Os sinais aumentam com a idade e a incidência da TAG ocorre em crianças de até 12 anos.

Por fim, o Transtorno de Ansiedade Social (TAS) ou Fobia Social é a ansiedade exagerada por conta da convivência com pessoas não familiares. É muito comum em crianças com até dois anos e meio não se sentirem à vontade perto de pessoas não familiares. Esse comportamento é esperado para a idade e deve ser entendido como parte do desenvolvimento infantil normal. Entretanto, após este período, se o estranhamento persistir e interferir na construção de uma vida social, é possível que este desconforto tenha se tornado patológico.

Os critérios para diagnosticar o TAS, incluem:

- Medo acentuado e persistente, excessivo ou irracional, em uma ou mais situações sociais ou de desempenho que envolvam a exposição a pessoas estranhas ou a possível gozação de terceiros;

- Presença de resposta imediata de ansiedade, caracterizada muitas vezes como um ataque de pânico, resultante da antecipação ou do contato com a situação social temida;

- Reconhecimento de que o medo é irracional ou desproporcional;

As situações sociais e de desempenho temidas são constantemente evitadas, ou suportadas com intenso sofrimento, resultando em prejuízo funcional significativo.

Para cada um dos casos, a psicóloga Beatriz Moura aconselha que os pais fiquem de olho em qualquer mudança emocional ou no comportamento dos filhos. É importante procurar orientação de um profissional especializado, para que a ansiedade infantil seja tratada e não traga nenhum prejuízo no desenvolvimento da criança.

Fonte: Assessoria
Imagens: Assessoria

Até a próxima!
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08 fevereiro, 2019


Xixi na cama: especialista responde 9 perguntas!

Quem tem em casa uma criança que faz xixi na cama vive procurando maneiras de evitar os lençóis molhados. Entre as medidas mais adotadas, está a exaustiva tarefa de acordar a criança durante a madrugada para usar o banheiro e voltar para cama. A justificativa, segundo as mães, é proteger o colchão e ajudar a criança a entender que ela precisa ir ao banheiro quando a bexiga fica cheia. Mas afinal, isso ajuda mesmo no controle da enurese?



De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a enurese, transtorno que causa a perda involuntária da urina durante o sono, atinge até 15% das crianças com mais de 5 anos de idade. “Pode acontecer devido a fatores genéticos relacionados à quantidade de urina produzida pela criança durante a noite ou à disfunção da bexiga durante o sono, ocorrendo, portanto, sem qualquer culpa por parte da criança”, diz Dr. Atila Rondon, Urologista, com atuação em Urologia Pediátrica.

Confira algumas perguntas mais ouvidas pelo especialista no consultório.

Meu filho chegou em casa dormindo. Devo acordá-lo para fazer xixi no banheiro?
Sim. É muito comum que as crianças voltem dormindo de festinhas ou passeios mais longos. Contudo, antes de colocar seu filho na cama para dormir, o ideal é acordá-lo para fazer xixi no banheiro. Isso porque todo o líquido que ele consumiu permanecerá armazenado na bexiga por um longo tempo, facilitando episódios de perda involuntária. No caso da enurese isso é ainda mais importante, já que a criança produz, naturalmente, mais urina à noite e tem uma capacidade vesical menor.

E durante a noite, é certo acordar a criança para ir ao banheiro?
Não. Muita gente usa essa alternativa no intuito de preservar o estofado do colchão, mas a técnica não é recomendada. Acordar a criança durante a noite faz com que ela tenha um sono superficial e, por consequência, possíveis lacunas em seu desenvolvimento. A própria qualidade de vida da mãe passa a ser afetada, já que ela também precisa acordar para levar a criança ao banheiro.



Quais são os prejuízos do sono interrompido?
A enurese pode acontecer em todas as fases do sono e é por isso que não adianta escolher um horário para acordar a criança e levá-la ao banheiro. Por não haver um esvaziamento completo da bexiga durante os episódios de perda, é comum que a criança faça xixi na cama várias vezes em uma mesma noite. A qualidade do sono está ligada às atividades que são realizadas ao longo do dia. Invista nos exercícios físicos apropriados à idade do seu filho e evite os equipamentos eletrônicos à noite.

Devo colocar fraldas no meu filho para dormir?
Por mais que a ideia seja evitar qualquer incômodo, colocar fralda em crianças acima de 5 anos pode prejudicar o desenvolvimento emocional e não ajuda no tratamento da enurese. Converse com o especialista e tente outras abordagens. A própria retirada precoce da fralda – em média, antes de 1 ano e 8 meses – aumenta as chances de xixi na cama. Antes de desfraldar, identifique na criança os sinais de que ela está preparada e evite pressioná-la.

Existe um horário para levar a criança ao banheiro à noite?
Sim. O ideal é que a criança vá ao banheiro logo antes de deitar e assim que acordar. A ingestão de líquidos durante a noite deve ser evitada, assim como o consumo de alimentos com cafeína e/ou estimulantes. Durante o dia, cuide para que a criança se hidrate bastante e vá ao banheiro com frequência. Criar rotinas é uma maneira simples de estimular o desenvolvimento da bexiga e evitar as perdas de xixi na cama. Mas atenção a sinais como jato fraco, ardência ou contenção. Eles podem indicar que o mecanismo urinário precisa da atenção de um especialista.

O que fazer quando meu filho acordar com os pijamas molhados?
Mesmo com todos os cuidados, às vezes, o xixi escapa. Procure oferecer conforto à criança e mostrar que a enurese é apenas uma fase que vocês passarão juntos. Nada de castigos, punições ou deboches. Por mais estressante que a situação seja, a criança não tem culpa – e nem os pais. Procure um especialista e trace alternativas. O apoio dos pais é indispensável para que a criança supere o transtorno sem traumas, e, de preferência, com qualidade de vida e de sono.

No inverno aumenta a frequência do xixi na cama?
Urinamos mais no inverno porque transpiramos muito menos do que nas outras estações. O nosso corpo produz a mesma quantidade de água independente da época (num processo chamado homeostase), quando a temperatura externa é muito mais fria do que a do corpo, a quantidade de água que eliminamos pelo suor e pela respiração é bem menor. Nos dias de frio, quem passa a lidar com o excesso de água do nosso organismo é o rim, que controla a bexiga. Portanto, fazemos mais xixi porque é a forma que o nosso corpo encontra de eliminar e equilibrar o nível de água, o que pode aumentar a ocorrência de episódios de enurese.

A ansiedade piora o quadro? Percebo que na semana de provas da escola, a frequência do xixi na cama aumenta.
A criança com enurese não consegue controlar a micção durante o sono e os episódios ocorrem involuntariamente. Em momentos de estresse a ocorrência do xixi na cama pode aparecer sim com mais frequência. Os pais devem ficar atentos ao comportamento da criança para identificar se é uma situação esporádica, ou se está sendo recorrente.

Meu vizinho deu um remédio para a filha dele e a menina melhorou, posso usar a mesma medicação com o meu filho? O tratamento é o mesmo para todas as crianças?
Cada criança deve ser avaliada para que o especialista detecte o tipo de tratamento mais indicado. Algumas das causas da enurese são excesso de produção de urina, menor capacidade vesical ou dificuldade de acordar. Nestes casos, o especialista pode indicar medicações ou dispositivos médicos. Inserir pequenas mudanças na rotina, como evitar que a criança ingira líquidos 2 horas antes de dormir e incentivar o xixi antes de deitar e logo ao acordar, também são recomendados e podem trazer bons resultados. Cada noite seca precisa ser encarada como uma vitória, valorizada com elogios e muito carinho.

Fonte: Revista News
Imagens: Internet

Até a próxima!
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